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2006/03/12

06-01-11/Apologies To The Queen Mary (Wolf Parade)


Depois do boom dos Arcade Fire, eis que enquanto estes preparam o 2º álbum, os Wolf Parade, aparecem como uma espécie de "a grande promessa que se segue aos Arcade Fire".

E tudo começou em Montréal (CA), apesar de serem originários de Victoria (CA), após o lançamento do homónimo EP 'Wolf Parade' ao que se seguiu a participação, como 1ª parte, de um concerto dos Arcade Fire. Após várias audições deste 1º álbum, 'Apologies to the Queen Mary', é fácil concluir que o mesmo se tornou um acontecimento no cenário musical canadiano e suas ramificações mundiais, sobretudo via Europa. Um verdadeiro entusiasmo.

Originários de Montréal (CA), estes 4 rapazes (que pelo seu aspecto poderiam ser eles chamados de Arctic Monkeys), este 1º álbum é, na minha opinião, um excelente disco. Uma espécie de mistura pop com música clássica (barroca, dizem os críticos), com alguns momentos de depressão ilustrada nas suas letras, mas com um cuidado extremo na escolha do alinhamento do CD para não parecer que ao fim da 3ª faixa tenhamos que tomar uma sucessiva dose de xanax's, lexotan's ou prozac's. Como se de uma mistura se tratasse: oiçam a nossa música e tomem atenção ao que dizemos.

Transições entre faixas à parte, canções como "You Are A Runner And I'm A Father's Son", "Same Ghost Every Night", "Shine A Light", "I'll Believe In Anything" e "This Heart's on Fire", são as mais fortes do CD e possuem uma força interior saída das caves mais frias da Região do Quebec.

"Give me your eyes, I need sunshine
Your blood, your bones
Your voice and your ghost"

Atenção aos fiéis seguidores de Arcade Fire e Hot Hot Heat: Wolf Parade é uma referência obrigatória. Em viagem, no leitor do carro, no leitor mp3, no iPod, a pedalar, a tomar café ou um chá, a ler, antes de dormir ou mesmo a fazer amor. Um dos melhores CD's de 2005 que não ouvi na altura devida.

2006/02/27

Arquivo Recuperado: Alligator (The National)



Tendo sido por mim eleito como sendo o melhor álbum de 2005, perguntava-me a mim próprio o motivo pelo qual ainda não tinha escrito nada sobre o último álbum dos The National, 'Alligator'. Acho que me senti um pouco estimulado após leitura do Y de 10 Fev '06, onde José Bonifácio assina uma extraordinária peça sobre os The National e, em particular, sobre este mais recente álbum.

Lamentando que apenas agora seja dado algum relevo a esta brilhante rapaziada americana (Ohio) mas com afirmação em Nova Iorque, que já vão no 4º Álbum, os The National afirmam-se definitivamente no panorama musical indie e começam a ser admirados um pouco por toda a parte, especialmente na Europa, mais especificamente em França e no Reino Unido.

Com intersecções com os Tindersticks, The Walkabouts e Pixies e com partes comuns aos Clap Your Hands Say Yeah!, Wolf Parade, Spoon, Arcade Fire, The New Pornographers e My Morning Jacket, por exemplo, é impossível a qualquer admirador destes grupos, passar ao lado dos The National. As características das suas canções revelam uma ambiguidade de sabores e receitas, como se pudesse dizer "agora sirvo-te cozido mas logo a seguir terás um bolo de chocolate de sobremesa". Revelam uma música cada vez mais urbana e dirigida apenas para aqueles que se revêm no que cantam, que sentem a fibra dos versos, que ouvem os problemas mundanos sem lamechices tontas e alienação colectiva pelo meio.

Uma espécie de luxúria combinada com austeridade, muitas vezes enfatizada pela voz seca de Matt Berninger, o barítono do grupo como menciona João Bonifácio na sua peça, cujo exemplo certeiro é a maravilhosa canção "Baby, We'll Be Fine" (já rodou aqui em Nov '05), [ a reter da letra: "I'm so sorry for everything" ], algo em que ele próprio parece cansado de viver mas, sem pedir desculpas directamente pelo que aconteceu e que lhe fugiu do controlo. Esta é uma excelente música.

Mas há mais, "Karen", "Lit Up" [ My body guard shows a revolver to anyone who asks ], "Mr. November" (já rodou em Out '05 aqui no stereo do Kraakinho), "Abel" (vídeo no Kraak FM <'+++), a recuperada "All The Wine" onde afirma "I’m a perfect piece of ass", (do mini-álbum de 2004 'Cherry Tree'), fazem-nos arrepiar não só pelo seu ritmo sedutor mas pela poesia e humor inteligente que nos agarra ao pavimento, sem deixar que algum peão ali ponha o seu pé sem antes saber onde está a andar.

Um álbum magnífico. Para os novos descobridores, sugiro também a audição do seu primeiro e homónimo álbum, "The National", de 2001.

:: Baby, We'll Be Fine, by The National in 'Alligator'

2006/02/11

06-07-06/Z (My Morning Jacket)


Com o seu 4º álbum em 2005, intitulado 'Z', esta rapaziada de Louisville (US) afirma-se definitivamente no mundo musical da música pop independente americana, tal como os The Flaming Lips e os (extintos?) Galaxie 500. Foi em 2003 que os My Morning Jacket entraram numa digressão com os Voices, Doves, Foo Fighters e Burning Brides e talvez por este motivo começaram a ter uma maior projecção e conhecimento. E eis que em Outubro '05 aparecem com este novo álbum, claramente separado por dois motivos, como se de um CD com lado A e lado B se tratasse.

Canções como "Wordless Chorus" a qual inicia o desfile das canções de 'Z', possuem uma força que, segundo dizem, parece ter sido extraída de canções de outros tempos, numa espécie de misturas entre a folk, a pop, a música espiritual e uma espécie de reggae com influências rurais.

Comparativamente com os álbuns anteriores, as faixas que preenchem 'Z' têm mais guitarradas e as próprias músicas possuem letras muito mais firmes. O próprio single "Off the Record" favorece um clima de reggae dirigido para uma fusão de estilos, ou para aquilo a que chamam Air Noir.

Mas há mais canções a reter, como por exemplo, a mística "Gideon", a vigorosa "What a Wonderful Man", a agradável, melodiosa e muito rock à frente, "Anytime", a pianíssima "Knot Comes Loose" e a confortante e intensa "Dondante", com a qual fecham o álbum.

Em resumo, um excelente álbum de 2005 que não entrou na minha lista TOP30 '05, mas que em 2007 estará seguramente na lista do melhor de 2005 que ouvi em 2006. Há tempos atribuí aos My Morning Jacket o prémio 'A' (em oposição ao nome do seu último álbum). De facto, é a pontuação que merecem. Poderá haver alguma classificação A+?

2005/12/27

05-02-53/Eleitos 2005: Top 10

Na continuação deste post, seguem-se os 10 melhores CD's internacionais eleitos por mim. Com muita pena minha, não foi possível incluir eventualmente neste Top30, devido a não ter tido grande disponibilidade de audição, os seguintes CD's:

Dungen, "Ta det lugnt"; Test Icicles, "For screening purposes only"; The Fiery Furnaces, "Rehearsing my choir"; Porcupine Tree, "Deadwing"; Dogs, "Turn against this land"; Field Music, "Field Music"; Embrace, "Dry Kids (B-Sides 1997-2005)"; Richard Hawley "Coles corner"; We Are Scientists, "With love and squalor"; DK7, "Disarmed"; Black Mountain, "Black Mountain"; The Stands, "HorseFabulous"; Hal, "Hal" e My Morning Jacket, "Z".

Aí segue a TOP 10 LIST :)



10. The Departure, "Dirty words"
9. Sigur Rós, "Takk..."
8. LCD Soundsystem, "LCD Soundsystem"
7. British Sea Power, "Open Season"



6. Elbow, "Leaders of the Free World"
5. Bloc Party, "Silent Alarm"
4. The Clientele, "Strange Geometry"
3. Arcade Fire, "Funeral"



2. Hard-Fi, "Stars of CCTV"
1. The National, "Alligator"

2005/12/24

05-02-52/Quase Eleitos 2005-Top 11-18

Na continuação do post anterior, seguem-se os CD's quase mais.

18
. Bright Eyes, "I'm wide awake, it's morning"
17. Editors, "The back room"
16. Andrew Bird, "The mysterious production of eggs"
15. Kaiser Chiefs, "Employment"
14. The New Pornographers, "Twin cinema"
13. Animal Collective, "Feels"
12. Boards of Canada, "The campfire headphase"
11. Patrick Wolf, "Wind in the wires"

2005/12/23

05-02-52/Destaques 2005-Top 19-30

Aqui fica então o meu modesto primeiro registo da Colheita Internacional de 2005.

Inicio a lista pelos destaques, ou seja, o que considerei também muito bom este ano, mas que se classificou abaixo dos 18 álbuns, por mim eleitos, de 2005. Quero apenas registar que esta lista não tem pretensão a nada e que a mesma foi feita com base nos CD's que comprei e ouvi durante o ano de 2005. Com certeza que muita coisa ficou de fora e provavelmente poderia cá estar. :)


30. Fischerspooner, "Odyssey" ex-aequo com Ladytron, "Witching hour"
29. Maxïmo Park, "A certain trigger"
28. Art Brut, "Bang Bang Rock & Roll"
27. The Wedding Present, "Take fountain"
26. Eels, "Blinking lights and other revelations"
25. Low, "The great destroyer"
24. The Coral, "The invisible invasion"
23. The Rakes, "Capture/Release"
22. The Kills, "No wow"
21. The Bravery, "The Bravery"
20. Who Made Who, "Who made who"
19. Belle & Sebastian, "Push barman to open old wounds"

2005/12/17

05-07-51/The Invisible Invasion (The Coral)


O título deste CD sintetiza bem o trabalho desta progressiva banda, que a pouco e pouco sai da chamada experimentação para um mundo pop afastado das coqueluches pouco duradouras de muitos outros grupos que alcançam a glória temporariamente. Com produção dos Portishead, este álbum consegue encontrar, matematicamente falando, um ponto de sela, nada mais que um equilíbrio perfeito em várias variáveis.

    Canções como "In The Morning", "Cripples Crown" ou "So Long Ago" são de uma beleza estonteante, milimetricamente sonorizadas, rigorosamente escritas, cuidadosamente intituladas. Tudo numa mistura de talento, arrogância e humildade, que é necessário para sobreviver no mundo cruel inglês da música. 4 álbuns em 4 anos de existência quer significar alguma coisa, mesmo que os The Coral não apareçam no Top 50 NME '05.

    :: In The Morning, by The Coral, para ouvir e sacar

    2005/12/03

    05-07-49/CD da Semana-(Strange Geometry-The Clientele)


    Não sei se lhe poderia chamar apenas o CD da semana, mas talvez o CD que irá figurar na minha Top 10 List '05.

      Desconcertante no actual panorama musical britânico, através de uma pop saborosa mas ainda pouco madura e que poucos conhecem, os The Clientele, que estiveram recentemente no Porto e que já em 2004 haviam lançado "The Violent Hour", somam e seguem na sua linha musical, deixando de lado algumas das suas marcas sonoras ultra-sonhadoras do último álbum, marcando desta vez uma identidade mais forte, integral e coesa através das maravilhosas canções que nos deixam ir por uma tarde inteira em constante repeat.

        Com letras belíssimas e intimistas, melancólicas, doces e emotivas, cheias de literatura e poesia pelo meio, as canções de "Strange Geometry" assentam perfeitamente no meio do urbanismo e sub-urbanismo, recriando assim a elegância equilibrada do seu propósito e forma, com fantasmas românticos que nos perseguem e que naturalmente fazem parte das nossas queixas mas que na realidade todos gostamos e não conseguimos viver sem eles.

          Trechos musicais como:

          "
          All my senses sharp, my hands are fists, I'm pretty tired of making lists" (de 'Since K got over me')
          ou
          "like the sea inside a shell, everything speaks to itself" (de 'My own face inside the trees')

          são realmente de um contexto onde só os amantes (da poesia ou não) poderão equacionar a localização geométrica de tais palavras.

          'Since K got over me' pode ser ouvida na playlist do meu blogue principal.

          Para ouvir e/ou roubar:
          :: My own face inside the trees, by The Clientele, Strange Geometry, 2005 Pointy Records

          2005/11/11

          Bright Eyes-3º Álbum em 2005

          Os Bright Eyes estão prestes a lançar o seu 3º álbum de 2005 o qual será um LIVE CD.

          O principal membro da banda, Conor Oberst

          [ Photo by Ed Pearce @ Somerset House, London and uploaded from http://www.thestoryinthesoil.com ]

          anunciou o lançamento de " Motion Sickness' ", o seu primeiro álbum live no próximo dia 15 de Novembro, através da sua própria editora, Team Love. Esta versão, que será limitada, foi gravada ao longo dos vários sítios por onde actuaram durante a Oberst’s Tour na promoção do seu álbum 'I'm wide akake, it's morning'. O novo álbum contem um par de novidades em termos de covers, nomeadamente "The Biggest Lie" de Elliott Smith e "Mushaboom" dos Fiest.

          Oberst está a colar o seu som indie a uma campanha anti-corporativa no sentido de serem evitados os espectáculos promovidos pela Clear Channel, a qual possui uma política que conduziu recentemente a uma alteração de horário num espectáculo em St. Louis, nos Estados Unidos e por este motivo Oberst cancelou o seu show de amanhã, 12 Nov e alterou-o para a Universidade do Missouri, Columbia. Por este motivo o novo álbum será vendido exclusivamente em lojas de música, ditas independentes.

          2005/10/17

          Bloc Party


          Muito já foi dito sobre este grupo "sensação" de 2005 e muito já li por esta blogosfera apontamentos sobre os Bloc Party. Embora venha atrasado, pois só comento alguma coisa depois de efectivamente ter ouvido 50 vezes o mesmo CD, julgo estar em condições de opinar sobre os Bloc Party.
            Apesar das suas semelhanças com grupos muito interessantes, como por exemplo, The Futureheads, Doves, The Go! Team, Bright Eyes e British Sea Power, o que só por si chegava para elogiar este projecto, os Bloc Party beberam da sua inspiração nos Sonic Youth, Joy Division, Gang of Four e The Cure.
              Um projecto electrónico fantástico, na minha modesta opinião, com uma batida e uma sonoridade invejáveis. Originalmente formados, quase que casualmente, no conhecido Festival de Reading, fixaram rapidamente o nome da banda (Union) e fizeram um promo em 2003 seguindo-se a mudança do nome do grupo ainda nesse mesmo ano para Bloc Party. Com vários singles-promo em 2004 e algumas promoções nos Estados Unidos, começaram a gravar o seu primeiro álbum de originais 'Silent Alarm', o qual apareceu no mercado este ano. E ainda este ano lançaram o 'Silent Alarm Remixed', o que fez aumentar a sua popularidade com remisturas das suas fantásticas canções feitas por Ladytron e Mogwai, entre outros. "Banquet" ficou a cargo dos Phones. Dois álbuns em 1 maravilhosos. A ter no móvel junto com os outros CD's.

              Para ouvir e roubar:
              :: Banquet (A actualizar)

              2005/10/16

              Ladytron-"Witching Hour"

              Na mesma onda que os Stereolab, Client e Fischerspooner, eis que os Ladytron lançam após 3 anos de pausa, o seu último refrescante e excelente álbum 'Witching Hour', após os seus Light & Magic (2002) e 604 (2001) , influenciados, entre outros, por Kraftwerk e The Human League. Esta prolongada pausa que teve como origem problemas associados à Editora, só serviu para que os Ladytron reforçassem o seu enorme sentido pop musical em relação a outros artistas similares, bem como uma maior coesão e identidade entre os componentes do grupo. Canções como "High Rise", "Soft Power", "Destroy Everything You Touch" e "International Dateline" revelam o seu lado mais melodramático e que a banda não perdeu o seu pedal de sensibilidade neste 3º álbum.

                Para ouvir e roubar: